sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Bolsos.

Cada vez mais cabeças apontadas para o chão.
Para os sapatos.
Para os bolsos.
O vazio não se encontra apenas neles.
Os sorrisos de quase todos há muito esmoreceram.
Não sei com que adjectivo me poderei classificar. E a vocês.
Vou tentar continuar a olhar o chão e esperar que aclare.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Sentidos 1

Fica tudo cada vez mais cinzento.
Nunca foram grandes as divisões que ocupo mas os passos são cada dia menores.
Hoje não existem olhares.
Hoje não existem vozes.
Hoje não existem passos.
A minha voz foi comida pelo silêncio agonizante que tende a mastigar cada vez mais.
O silêncio consome-me hoje.
Amanhã espero pela visão.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Refeição.

Não chegava onde queria.
O garfo não chegava onde queria.
Não chegava ao fundo daquilo que queria comer.
Não chegava amiúde e desesperava.
Não comia o fundo da tua alma.
Tu comias o fundo da minha.
Corroer.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Branco.

Nem meias nem inteiras palavras o satisfaziam.
Era infinita a sua ânsia por aquilo que poderia adquirir. Era infinita a expectativa.
Era um esgar que não queriam ver. Nem o próprio.
Pretendente a absorvente.
Chora o conhecimento que nunca teve.
Morre com o conhecimento que tem.
Perde algo.
Nem tudo.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Desabafo.

Loucamente ignorantes na busca da estupidez.
Caminhávamos lentamente procurando ignorância e a tarefa revelava-se fácil. Havia muita.
Ignorância premeditada.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Incêndio.

Tinha o calor todo.
Não no coração.
Não nas mãos.
TInha o calor todo.
Caminhava com o calor todo e o calor todo caminhava com ele todo.
Eles tinham-se eles todos.
Ele não gostava de si mesmo ele todo.
O calor gostava demais dele todo.
Hoje o calor gosta mais dele todo mas hoje ele todo não existe.
Ele todo não existe todo.

sábado, 19 de novembro de 2011

Passeio.

Ela não sabia responder.
O nome tinha várias letras mas ela não sabia quais.
Ela caía mas não se aleijava. Nunca se aleijava.
Ela era leve e eu era leve com ela.
Ela era inantigível.
Ela era belas mãos.
Ela era um belo nariz.
Nunca caminhei ao lado dela nem nunca caminhei dentro dela.
Ela caminhou e caminha sobre mim.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Confuso.

São muitos os ouvidos que me olham.
A minha boca abre e são muitos os ouvidos que me olham.
Sou eu que penso que me olham.
Os ouvidos que me olham julgam-me.
São nenhuns os passos que dou sem os ouvidos que me olham.
Um dia calo-me e espero pelos muitos ouvidos que me olham.

domingo, 30 de outubro de 2011

Dividido.

Hoje acordei metade.
Hoje sou metade.
Sou parte de cima ou parte de baixo.
Ontem era parte de cima e parte de baixo.
Hoje sou parte de cima ou parte de baixo.
Desconheço a parte que sou.
Mas hoje acordei metade.