Hoje acordei metade.
Hoje sou metade.
Sou parte de cima ou parte de baixo.
Ontem era parte de cima e parte de baixo.
Hoje sou parte de cima ou parte de baixo.
Desconheço a parte que sou.
Mas hoje acordei metade.
domingo, 30 de outubro de 2011
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Podemos?
Trocava as minhas mãos com as tuas.
Eu dava-te as minhas. Davas-me as tuas.
Trocava as minhas mãos com as tuas. Para te tocar.
Para te tocar sem constrangimentos.
Para te tocar sem medos.
Para te tocar sem te pedir: "E aqui? Posso?"
Trocava as minhas mãos com as tuas.
Para te tocar com a naturalidade com que toco a minha pele.
Para te tocar. Sempre. Hoje.
Trocava as minhas mãos com as tuas.
Eu dava-te as minhas. Davas-me as tuas.
Trocava as minhas mãos com as tuas. Para te tocar.
Para te tocar sem constrangimentos.
Para te tocar sem medos.
Para te tocar sem te pedir: "E aqui? Posso?"
Trocava as minhas mãos com as tuas.
Para te tocar com a naturalidade com que toco a minha pele.
Para te tocar. Sempre. Hoje.
Trocava as minhas mãos com as tuas.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Silêncio
O silêncio é peculiar.
É triste por vezes. Mas noutras não.
O silêncio não dança. Não toca. Nem rodopia.
O silêncio não fala. Mesmo quando precisamos. Precisamos muito.
O silêncio por vezes é tortura. Quando contigo estou. Tortura.
Odeio o silêncio com a mesma força com que o amo.
O silêncio é solidão quando companhia queremos e companhia quando de solidão precisamos.
O silêncio pode-se escrever assim: Silêncio. Maíscula.
Mas hoje escrevo-o assim: silêncio.
O silêncio
Sempre.
É triste por vezes. Mas noutras não.
O silêncio não dança. Não toca. Nem rodopia.
O silêncio não fala. Mesmo quando precisamos. Precisamos muito.
O silêncio por vezes é tortura. Quando contigo estou. Tortura.
Odeio o silêncio com a mesma força com que o amo.
O silêncio é solidão quando companhia queremos e companhia quando de solidão precisamos.
O silêncio pode-se escrever assim: Silêncio. Maíscula.
Mas hoje escrevo-o assim: silêncio.
O silêncio
Sempre.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Falésia.
O caminhar tornou-se pesaroso.
Não conseguia mais.
Não dançava. Com ela.
Ele olhava-a a dançar sozinha. E chorava.
O último passo não pisou terra. O seu corpo sim.
Não conseguia mais.
Não dançava. Com ela.
Ele olhava-a a dançar sozinha. E chorava.
O último passo não pisou terra. O seu corpo sim.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Portas Fechadas.
As chaves deixavam de rodar.
Ou rodavam mas não para onde queria.
Estavas longe e ainda ouvia lágrimas.
Hoje a chuva é o meu tecto e o ódio é o teu.
Ou rodavam mas não para onde queria.
Estavas longe e ainda ouvia lágrimas.
Hoje a chuva é o meu tecto e o ódio é o teu.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
A Discussão é uma Ladra.
Roubavas-me os passos e eu permanecia imóvel.
A tua voz era dor mas não te ouvia gritar.
Corta as palavras com a lingua mas diz-me palavras completas.
A tua voz era dor mas não te ouvia gritar.
Corta as palavras com a lingua mas diz-me palavras completas.
sábado, 9 de julho de 2011
Bernardo Soares (Autor)
"Comprar livros para não os ler; ir a concertos nem para ouvir a música nem para ver quem lá está; dar longos passeios por estar farto de andar e ir passar dias no campo só porque o campo nos aborrece."
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Toque.
Não odeio a sensibilidade mas esta parece odiar-me.
Lágrimas não vejo escorrerem nem perto do meu nariz e só as minhas costas vêem as lágrimas que escorrem bem perto do teu.
Jura as tuas mãos perto das minhas e prometo jurar este fragmento de corpo perto do teu.
Odeia-me. Faz-me sentir o desprezo dos teus olhos.
Lágrimas não vejo escorrerem nem perto do meu nariz e só as minhas costas vêem as lágrimas que escorrem bem perto do teu.
Jura as tuas mãos perto das minhas e prometo jurar este fragmento de corpo perto do teu.
Odeia-me. Faz-me sentir o desprezo dos teus olhos.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Homofobia.
Trocavam cartas que os faziam chorar.
A ele e a ele.
Trocavam cartas que os faziam chorar
Com amor que fazia chorar.
Estavam sempre longe as pontas dos dedos,
Fosse esse o maior dos medos.
Sentiam hoje,
morriam amanhã.
Poucas cartas que os fizeram chorar
Até ao dia em que as fui apanhar,
E com as próprias mãos que hoje não tenho,
Finalmente os consegui matar.
A ele e a ele.
Trocavam cartas que os faziam chorar
Com amor que fazia chorar.
Estavam sempre longe as pontas dos dedos,
Fosse esse o maior dos medos.
Sentiam hoje,
morriam amanhã.
Poucas cartas que os fizeram chorar
Até ao dia em que as fui apanhar,
E com as próprias mãos que hoje não tenho,
Finalmente os consegui matar.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Perspectiva.
Só queriamos o copo de vinho a balançar pelos diferentes dedos e a entornar pelas diferentes direcções. O vinho quente era fresco.
Não eram difíceis as palavras que proferiamos à vezes não para nós não para ti e para mim mas para mim e para mim.
Hoje queria apenas as tuas pernas a brincar com as minhas e as tuas pernas a falarem e eu calado. E tu calada. Não nos levamos a sério e gostamos disso. Não nos levamos a sério.
Levo comigo o cheiro do teu pescoço e contigo não levas nada.
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