quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Caminhada.

Caminhaste uma ultima vez e a tua sola não desenhou o seu contorno no solo.
Pisaste. Pisaste. Pisaste. Cada vez com mais força e nada.
Andávamos ambos como sempre andámos.
Os meus passos marcados na areia e os teus passos não surgiam.
Pisavas fortemente e nada. Andámos até ninguém nos ver.
Andei e nunca te vi.
Não estavas lá.
Nunca mais.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Desconhecimento.

-Sabes quando sentes tudo? -Não. Não se sente tudo nunca. -Sente. Às vezes sinto tudo. -Sentes tudo? -Tudo. -O que é tudo? -Não sei. -Sentes tudo e não sabes no entanto o que é tudo? -Isso. -Não me parece lógico. -O tudo é ilógico. -Tudo é ilógico? -Não. O tudo é ilógico. -Não percebo bem o que dizes. -Eu também não. -Não te importas? -Não.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Sociedade.

Fantasio mesmo possuindo.
É tremenda a necessidade de ter.
O quê?
Ter.
Queres ter mais mesmo não sendo melhor.
O teu passo não vai valer dois.
A tua voz não irá ser duas.
Um par de mãos suficiente para o que pretendes tocar.
Excesso.
Não é preciso uma linha recta.
Não são precisas tantas curvas.


quinta-feira, 17 de maio de 2012

Espelho Não Meu.

-Não sou eu ali.
-Não és?
-Não.
-Com quem falo eu?
-Comigo.
-Mas não és tu ali?
-Não.
-Sabes quem é?
-Não.
-Não?
-Não.
-Nunca estiveste aqui pois não?
-Nunca.
-Nunca te vi?
-Não.

À sua volta sempre esteve o vazio. Desde sempre.

domingo, 6 de maio de 2012

Passado

Difícil olhar para fôlegos antigos.
Mudanças. Em nós. Nos outros.
Havendo. Não havendo.
Difícil olhar para distâncias. Novas.
As mãos não são as mesmas.
Nem os olhos.
Nem a voz.
Difícil sentir imagens antigas.
Difícil relembrar.
Difícil contar.
O que podemos é secundário.
O que não podemos não sei.
Sei que as pegadas não são as mesmas.
Mas gostava de voltar a ver o teu chão.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Sentidos 3

Parece que te perco.
Se visão não tenho deixa o teu cheiro chamar-me.
Quero-te mesmo ao longe e não preciso de ver.
Não vejo nada.
Não és rosas. Nem flores.
Não és doces.
Não és quente nem frio.
O teu cheiro és tu.
Eras tu.
Hoje não sinto o que sentia ontem.
Não sinto aroma nem odor.
Tiraste-me isso também.
Não me tires o tacto.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Sentidos 2

Hoje não vi o acordar.
Não os vi fechar e não os vejo abrir.
Consegues olhar-me?
Não vejo nada mas também não vejo escuro.
Nem escuridão.
O que penso eu?
Dá-me uma visão que me consuma.
Trocas comigo? Só preciso de um.
Um que me permita olhar o teu cheiro.
Hoje não tenho visão.
Dar-me-às olfacto?

quinta-feira, 12 de abril de 2012

A Última Mão.

-Estás pronta?
-Sabes que nunca estou.
-Então não queres?
-Alternativa?
-Talvez não nem sei.
-Sabes.
-Vens?
-Pois.
-Eu vou andando.
-Não me deixes só.
-Estás só.
-Estou?
-Olha.
-Mas estás aqui. Comigo.
-Não. Não está aqui ninguém contigo.
-Não te vejo?
-A mim não. Não estou aqui.
-Quem está?
-Como saberei? Não me verás a mim é certo.
-Nunca?
-Sabes que nunca cá estive. Já me tocaste?
-Agora que perguntas...
-Pois. Olha vou andando.
-Posso ir?
-Sim. Mas não agora.
-Quando?
-Eu apareço.
-Prometes.
-Sim. E vem de preto. Adequa-se
-Porquê?
-Vem.
-Até logo?
-Veremos a proximidade com o tempo.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Sempre.

Não sei contar cicatrizes. Olho-as sem saber quantas são.
Não te perdemos.
Estás a um passo. Sempre.
Estás a um sorriso. Dos teus.
Estás tão perto como estavas. Apenas sem físico.
Dar-te-emos a mão todos os dias como ta demos antes.
Não deixes de nos visitar. Queremos-te todos os dias.
Aqui em baixo sorrimos por ti.
Ainda nos fazes rir. Sempre.
Se é justo? Nunca.
Enquanto choro, lembra-te, aqui sorrimos por ti.
Sempre amigo.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Sonho.

Corro ao lado do triste rio.
Este não me chama. Nem elas pois não sou Ulisses.
Deito-me contigo triste rio que me olhas com sono.
Que fado tens para mim?
Que olhos me dás hoje?
Com que mãos me tocas hoje?
Adeus triste rio.
Sejas tu quem fores.