quarta-feira, 27 de julho de 2011

Portas Fechadas.

As chaves deixavam de rodar.
Ou rodavam mas não para onde queria.
Estavas longe e ainda ouvia lágrimas.
Hoje a chuva é o meu tecto e o ódio é o teu.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A Discussão é uma Ladra.

Roubavas-me os passos e eu permanecia imóvel.
A tua voz era dor mas não te ouvia gritar.
Corta as palavras com a lingua mas diz-me palavras completas.

sábado, 9 de julho de 2011

Bernardo Soares (Autor)

"Comprar livros para não os ler; ir a concertos nem para ouvir a música nem para ver quem lá está; dar longos passeios por estar farto de andar e ir passar dias no campo só porque o campo nos aborrece."

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Toque.

Não odeio a sensibilidade mas esta parece odiar-me.
Lágrimas não vejo escorrerem nem perto do meu nariz e só as minhas costas vêem as lágrimas que escorrem bem perto do teu.
Jura as tuas mãos perto das minhas e prometo jurar este fragmento de corpo perto do teu.
Odeia-me. Faz-me sentir o desprezo dos teus olhos.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Homofobia.

Trocavam cartas que os faziam chorar.
A ele e a ele.
Trocavam cartas que os faziam chorar
Com amor que fazia chorar.

Estavam sempre longe as pontas dos dedos,
Fosse esse o maior dos medos.
Sentiam hoje,
morriam amanhã.

Poucas cartas que os fizeram chorar
Até ao dia em que as fui apanhar,
E com as próprias mãos que hoje não tenho,
Finalmente os consegui matar.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Perspectiva.

Só queriamos o copo de vinho a balançar pelos diferentes dedos e a entornar pelas diferentes direcções. O vinho quente era fresco.
Não eram difíceis as palavras que proferiamos à vezes não para nós não para ti e para mim mas para mim e para mim. 
Hoje queria apenas as tuas pernas a brincar com as minhas e as tuas pernas a falarem e eu calado. E tu calada. Não nos levamos a sério e gostamos disso. Não nos levamos a sério.
Levo comigo o cheiro do teu pescoço e contigo não levas nada.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Trocas.

Retirou duas partes do seu próprio coração. Retirou o lado esquerdo e retirou o lado direito.
Colocou as duas partes do seu coração no cão morto atropelado na berma da estrada.
Depois morreu.
O cão desapareceu da beira da estrada.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Censura.

Sentaram-se os dois.
Conversaram sobre tudo.
Com a alma nao se fala sobre mulheres.
Conversaram sobre nada.