quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Queda Abstracta

Não me segures pelos dedos, mãos ou braços,

Deixa-me escorregar e percorrer o abismo,

Lá em baixo deambula a serpente, gigante, ondulada,

Deixa a música abafar o som do nada,

Deixa o som ser tomado, comido,

Grita mas não faças barulho, eles dormem,

Todos dormem, mas estão acordados,

Roubam sonhos, desejos,

Eu desejo-te, quero matar-te,

Deixa a gravilha palpitar no solo ardente, borracha queimada,

A tua pele sente o fresco de pequenas pedras que ardem,

Larga, Larga-te, Liberta-te,

Sente o abismo e trepa, por onde conseguires,

Segura-te, aos pulmões, ao estômago,

Agora larga-te e não te segures, nunca mais,

Não te segures,

Sente a pele deformar-se, alargar-se,

Agora, cai, Agora, cai, Agora, cai,

Sente-te, sente-te no chão,

Alastrado no chão, desfeito, desfigurado,

Sente a pureza da dor, sente a pureza de já não sentires dor,

Fica, Deixa o sangue cobrir o chão, deixa o chão ser sangue,

Deixa haver chão no sangue,

Alastra-te pelo solo e influencia, torna os teus ossos o solo,

Os teus olhos o solo,

Torna-te o solo,

Torna-te líquido no sólido.

2 comentários:

  1. Não sendo eu um apreciador de poesia (limitação minha) penso que quem assim escreve tem queda :)
    Continua, porque valor acho que não te falta, assim as musas te ajudem.
    Um abraço

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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