Tinha o calor todo.
Não no coração.
Não nas mãos.
TInha o calor todo.
Caminhava com o calor todo e o calor todo caminhava com ele todo.
Eles tinham-se eles todos.
Ele não gostava de si mesmo ele todo.
O calor gostava demais dele todo.
Hoje o calor gosta mais dele todo mas hoje ele todo não existe.
Ele todo não existe todo.
sábado, 3 de dezembro de 2011
sábado, 19 de novembro de 2011
Passeio.
Ela não sabia responder.
O nome tinha várias letras mas ela não sabia quais.
Ela caía mas não se aleijava. Nunca se aleijava.
Ela era leve e eu era leve com ela.
Ela era inantigível.
Ela era belas mãos.
Ela era um belo nariz.
Nunca caminhei ao lado dela nem nunca caminhei dentro dela.
Ela caminhou e caminha sobre mim.
O nome tinha várias letras mas ela não sabia quais.
Ela caía mas não se aleijava. Nunca se aleijava.
Ela era leve e eu era leve com ela.
Ela era inantigível.
Ela era belas mãos.
Ela era um belo nariz.
Nunca caminhei ao lado dela nem nunca caminhei dentro dela.
Ela caminhou e caminha sobre mim.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Confuso.
São muitos os ouvidos que me olham.
A minha boca abre e são muitos os ouvidos que me olham.
Sou eu que penso que me olham.
Os ouvidos que me olham julgam-me.
São nenhuns os passos que dou sem os ouvidos que me olham.
Um dia calo-me e espero pelos muitos ouvidos que me olham.
A minha boca abre e são muitos os ouvidos que me olham.
Sou eu que penso que me olham.
Os ouvidos que me olham julgam-me.
São nenhuns os passos que dou sem os ouvidos que me olham.
Um dia calo-me e espero pelos muitos ouvidos que me olham.
domingo, 30 de outubro de 2011
Dividido.
Hoje acordei metade.
Hoje sou metade.
Sou parte de cima ou parte de baixo.
Ontem era parte de cima e parte de baixo.
Hoje sou parte de cima ou parte de baixo.
Desconheço a parte que sou.
Mas hoje acordei metade.
Hoje sou metade.
Sou parte de cima ou parte de baixo.
Ontem era parte de cima e parte de baixo.
Hoje sou parte de cima ou parte de baixo.
Desconheço a parte que sou.
Mas hoje acordei metade.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Podemos?
Trocava as minhas mãos com as tuas.
Eu dava-te as minhas. Davas-me as tuas.
Trocava as minhas mãos com as tuas. Para te tocar.
Para te tocar sem constrangimentos.
Para te tocar sem medos.
Para te tocar sem te pedir: "E aqui? Posso?"
Trocava as minhas mãos com as tuas.
Para te tocar com a naturalidade com que toco a minha pele.
Para te tocar. Sempre. Hoje.
Trocava as minhas mãos com as tuas.
Eu dava-te as minhas. Davas-me as tuas.
Trocava as minhas mãos com as tuas. Para te tocar.
Para te tocar sem constrangimentos.
Para te tocar sem medos.
Para te tocar sem te pedir: "E aqui? Posso?"
Trocava as minhas mãos com as tuas.
Para te tocar com a naturalidade com que toco a minha pele.
Para te tocar. Sempre. Hoje.
Trocava as minhas mãos com as tuas.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Silêncio
O silêncio é peculiar.
É triste por vezes. Mas noutras não.
O silêncio não dança. Não toca. Nem rodopia.
O silêncio não fala. Mesmo quando precisamos. Precisamos muito.
O silêncio por vezes é tortura. Quando contigo estou. Tortura.
Odeio o silêncio com a mesma força com que o amo.
O silêncio é solidão quando companhia queremos e companhia quando de solidão precisamos.
O silêncio pode-se escrever assim: Silêncio. Maíscula.
Mas hoje escrevo-o assim: silêncio.
O silêncio
Sempre.
É triste por vezes. Mas noutras não.
O silêncio não dança. Não toca. Nem rodopia.
O silêncio não fala. Mesmo quando precisamos. Precisamos muito.
O silêncio por vezes é tortura. Quando contigo estou. Tortura.
Odeio o silêncio com a mesma força com que o amo.
O silêncio é solidão quando companhia queremos e companhia quando de solidão precisamos.
O silêncio pode-se escrever assim: Silêncio. Maíscula.
Mas hoje escrevo-o assim: silêncio.
O silêncio
Sempre.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Falésia.
O caminhar tornou-se pesaroso.
Não conseguia mais.
Não dançava. Com ela.
Ele olhava-a a dançar sozinha. E chorava.
O último passo não pisou terra. O seu corpo sim.
Não conseguia mais.
Não dançava. Com ela.
Ele olhava-a a dançar sozinha. E chorava.
O último passo não pisou terra. O seu corpo sim.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Portas Fechadas.
As chaves deixavam de rodar.
Ou rodavam mas não para onde queria.
Estavas longe e ainda ouvia lágrimas.
Hoje a chuva é o meu tecto e o ódio é o teu.
Ou rodavam mas não para onde queria.
Estavas longe e ainda ouvia lágrimas.
Hoje a chuva é o meu tecto e o ódio é o teu.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
A Discussão é uma Ladra.
Roubavas-me os passos e eu permanecia imóvel.
A tua voz era dor mas não te ouvia gritar.
Corta as palavras com a lingua mas diz-me palavras completas.
A tua voz era dor mas não te ouvia gritar.
Corta as palavras com a lingua mas diz-me palavras completas.
sábado, 9 de julho de 2011
Bernardo Soares (Autor)
"Comprar livros para não os ler; ir a concertos nem para ouvir a música nem para ver quem lá está; dar longos passeios por estar farto de andar e ir passar dias no campo só porque o campo nos aborrece."
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